O parentesco e os laços de família

31/05/2015 19:16

por Thiago Mariz*

"Engraçado, mas o meu melhor amigo é mais próximo de mim que meu próprio irmão". Quem nunca ouviu ou até mesmo falou algo nesse sentido? Realmente é muito comum termos mais simpatia por alguém fora de nossa família consanguínea do que por aqueles que vivem sob o mesmo teto, como pais, irmão etc. Não há segredo: é a lei da sintonia que cria essas situações.

A família terrena, de sangue, nem sempre é a família espiritual. Quando falamos em família espiritual devemos entender aquela que é real, verdadeira, pois é gerida por laços de amor sinceros, que não se desfaz na poeira dos tempos. Já nada garante que a família da carne seja também de fonte espiritual. Quantas vezes percebemos pais, mães, filhos tão estranhos entre si?

De acordo com a Doutrina dos Espíritos, quando nascemos muitas vezes escolhemos um lar onde há pessoas que já conhecemos, amigas, que se amam e pretendem aprender e vencer as tribulações terrenas juntas. Mas Deus permite também que nas famílias surjam seres desconhecidos entre si ou até mesmo desafetos do passado, pessoas com pensamentos e inclinações morais diferentes, para que todos aprendam com bons exemplos, para que se perdoem, para que aprendam a se amar incondicionalmente.

Com isso temos que, segundo O Evangelho Segundo o Espiritismo, "há, portanto, duas espécies de famílias: as famílias por laços espirituais e as famílias por laços corporais. As primeiras, duráveis, se fortificam pela purificação e prosseguirão no mundo dos Espíritos, por meio das muitas migrações da alma; as segundas, frágeis como a própria matéria, acabam com o tempo e, muitas vezes, se desfazem moralmente já na existência atual. Foi isto o que Jesus quis ensinar naquele momento dizendo aos seus discípulos: Eis minha mãe e meus irmãos, ou seja, minha família pelos laços do Espírito, pois quem quer que faça a vontade de meu Pai que está nos Céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe." E você: qual sua família?

* Thiago Mariz é coordenador do Departamento de Comunicação Social do 15º CRE MG
Texto originalmente publicado na edição 12 do Jornal Iluminar