Chico Xavier: 100 anos de amor ao próximo

14/09/2012 19:10

por Thiago Mariz*

Se estivesse vivo entre os encarnados o mineiro Chico Xavier faria, no último dia 2 de abril de 2010, 100 anos de idade. Porém mais do que a comemoração de uma data importante, para todos os Espíritas e aqueles que simpatizavam com o homem que mostrou a caridade como única forma de salvação, o que deve sempre ser lembrado é o trabalho desenvolvido por aquele que é considerado uma das pessoas mais importantes da história recente do Brasil quando o assunto é caridade, entrega e amor incondicional.

Francisco de Paula Cândido nasceu em 1910 na cidade de Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo Horizonte. O mundo espiritual apareceu em sua vida desde muito cedo quando já dizia ver e ouvir espíritos - inclusive o de sua querida mãe, que logo o aconselhou a ler as obras básicas de Allan Kardec. Obviamente Chico Xavier não foi escolhido por acaso para ser o grande divulgador do Espiritismo entre nós. É lógico tratar-se de um espírito de grande elevação moral, com condições de levar a cabo essa importante missão na Pátria do Evangelho.

Com mais de 400 livros publicados, muitos deles em parceria com seu grande amigo e mentor Emmanuel, Chico levou a milhões de pessoas as mensagens de fé, de esperança e o consolo necessário para as horas difíceis, momentos que todos nós temos em nossas vidas. E tudo isso sem receber os créditos pelas publicações ou o dinheiro de mais de 50 milhões de livros vendidos. Segundo ele mesmo dizia, nada vinha dele; tudo era dos espíritos. Já os recursos financeiros da venda dos livros foram todos vertidos em favor de instituições Espíritas Brasil afora comprometidas com o auxílio aos necessitados espirituais e materiais.

Uma pessoa tão exposta obviamente sofreu muitos ataques dos incrédulos. Mas Chico nunca deixou suas convicções de lado. Nem atacou ninguém contrário às suas ideias. Sua intenção era relembrar as pessoas daquilo que nunca deveriam ter esquecido: as máximas do Cristo.

Suas mensagens sempre foram carregadas de amplo espectro evangélico. Nada do que Chico disse ou publicou foi contrário a uma das principais obras Espíritas, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – somente para citar um exemplo. Os ensinamentos dos espíritos através do grande médium evidenciavam o aspecto religioso sem fantasias ou equívocos. Essas mensagens, que para os Espíritas trazem até hoje profundo conhecimento filosófico, religioso e científico, não precisam ser renegadas por nenhuma pessoa – Espírita ou não. Tudo o que Chico falou se une ao que Jesus trouxe a nós durante sua passagem pela Terra: que fora da caridade não há salvação; que o amor é capaz de mover as maiores barreiras; que o orgulho é uma chaga em nossas vidas e precisa ser eliminado. Na verdade o que o Espiritismo trouxe, através de Chico Xavier, não é novidade nenhuma para o verdadeiro cristão. O cristão realmente engajado na luta por um mundo melhor para todos sabe que o amor ao próximo, o respeito às ideias e a caridade pura e livre de segundas intenções é o caminho seguro para a elevação moral e espiritual.

Aos 92 anos de idade, muitos deles de entrega total à vida do semelhante, Chico Xavier desencarnava em Uberaba. Ele dizia que gostaria de “partir” em um momento de felicidade para o brasileiro, para que o país não sentisse sua falta. Naquele dia, 30 de junho, o Brasil festejava a Copa do Mundo de 2002.

* Thiago Mariz é coordenador do Departamento de Comunicação Social do 15º CRE MG